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Texto 2: O senso de eu singular e fixo e as insatisfações de remoer o passado

A ideia do “eu” ou “ego” está um pouco na moda atualmente. Diferentes psicólogos teceram diversas visões, mas o Budismo geralmente fala disso se um modo mais simples e despretensioso.

À medida que formamos a ideia de “eu” quando criança, nós formulamos frases como “eu estou com frio”, “eu estou feliz”, “eu estou calmo”. Isso também é chamado de nossa própria visão de nós mesmos, ou às vezes chamado de “ego”.

Mas existe o perigo de nos identificarmos com uma noção singular e fixa de nós mesmos, e é isso que torna o aprendizado dos cinco agregados tão importante. Muitas vezes, as histórias inventadas sobre nós mesmos que contamos a nós mesmos podem nos pesar. Após julgarmos uma experiência, pensamento ou emoção como negativa ou desagradável, nós extrapolamos esse pensamento concluindo que o nosso próprio “eu” é realmente negativo, não apenas afetando a nossa autoestima, mas maximizando o nosso sofrimento mental. Por outro lado, evitar essa fixação mental naquilo com que nos identificamos pode nos ajudar a ver com mais clareza as situações pelas quais passamos e a ter menos estresse.

Como podemos ver facilmente refletindo sobre cada um dos agregados, eles também são governados pelo princípio da impermanência. Portanto, cada um dos agregados é muito mutável e está em constante mudança. Os agregados não são coisas estáticas; são processos dinâmicos funcionando.

Eventualmente, quando nos identificamos fortemente com este ‘eu’ ou ‘mim’ e nos fixamos nesta noção, nós também tendemos a expandir o nosso sentido de separação: o sentido de um “eu” especial distinto que valorizamos mais em comparação com todos os outros seres que estimamos menos. Isto é especialmente ruim em casos extremos e nós voltaremos a este assunto quando voltarmos a tratar com alguma profundidade das aflições internas, dentro de alguns dias.

Em termos claros, quando vemos os nossos agregados como uma essência unificada, fixa e intrínseca de quem somos, nós sofremos mais. Mas quando aprendemos a separar os agregados e a vê-los como partes que são fontes de experiências passageiras, com desapego, nós podemos quebrar uma parte do poder que o sofrimento tem sobre nós e viver vidas mais saudáveis e equilibradas.

Mais uma vez, o ponto central neste sistema de explicações é que todos os fatores que constituem a nossa experiência estão em constante mudança, sujeitos a condições, incompreensíveis e impermanentes, dando origem, portanto, ao sofrimento. Um “eu” independente não pode realmente ser encontrado em nenhum destes agregados se investigarmos profundamente.

Quando nós reforçamos e fixamos esse senso do Eu, nós criamos apego e compreensão, que é a própria fonte do sofrimento. E mudar esta visão da vida, para o Budismo, é uma mudança que acontece primeiro na mente.

À medida que nós ouvimos, refletimos e praticamos, nos tornamos mais conscientes das constantes mudanças que acontecem mesmo dentro das nossas mentes, e nos tornamos progressivamente mais receptivos às mudanças e menos apegados a expectativas fixas.

Quanto menos “Eu”, menos apego nós temos e mais contentes nos tornamos. E é a partir desse ponto que podemos fazer escolhas mais sábias, porque não somos influenciados negativamente e nem distraídos pelos ruídos que nossa mente produz repetidamente.

 

A insatisfação que sentimos quando algo ruim acontece versus a insatisfação que sentimos quando contamos a nós mesmos a história (modificada)

Uma visão adicional sobre a consideração das nossas experiências momento a momento é que há uma grande diferença entre as experiências que aconteceram e o que trazemos à mente em relação a essa experiência no presente. Nós nos lembramos de todas as nuances corretamente? Nós estamos adicionando uma visão tendenciosa contra os outros? Nós estamos adicionando dor desnecessária a nós mesmos, lembrando dessa forma? Todas essas perguntas são melhor respondidas caso a caso, mas é muito bom considerar essas possibilidades e aplicá-las quando necessário.

 No geral, como nós temos experiências momento a momento, certamente podemos ter doses de dor, mas também é aconselhável considerar as fabricações mentais que adicionamos a essas experiências. Às vezes, esta constatação por si só pode ter um potencial transformador. Aqui reside a chave para ver o sofrimento com mais clareza e criar uma vida mais satisfatória para nós e para aqueles ao nosso redor.

 

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