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Texto 2 - As insatisfações sutis e as imperceptíveis: insatisfações da mudança e insatisfações pervasivas

Falaremos do segundo tipo de insatisfações: as insatisfações da mudança.

Nós temos as insatisfações da mudança quando uma situação que gostamos muda para algo diferente algum tempo depois. Muda de felicidade para insatisfação. Por exemplo, quando nós compramos um carro novo nós realmente o adoramos. Ele nos dá prazer e nos faz nos sentirmos muito bem. Mas depois, com o tempo, ele fica velho, arranhado, e começa a quebrar e nos dar problemas. Aí temos que levá-lo à oficina de novo e de novo, gastando um monte de tempo e dinheiro com isso. Agora o mesmo carro que já trouxe tanta felicidade virou uma fonte de frustração, irritação, e tristeza. Essa é uma insatisfação da mudança.

Esse tipo de insatisfação ocorre constantemente, e ocorre em relação a tudo mundano, e não apenas em relação a objetos materiais. Relacionamentos também podem ficar tristes. No início nós estamos atraídos a alguém em cujas qualidades nós nos entusiasmamos e adoramos mas depois nós iniciamos a notar qualidades menos atraentes e eventualmente até esses relacionamentos que eram uma fonte de grande alegria podem virar uma fonte de insatisfação. Essa também é uma insatisfação da mudança. 

Desse modo podemos ver que, eventualmente, cada situação que achemos agradável vai ou acabar ou perder seu aspecto de ser agradável. Se precisar, pense em mais exemplos você mesmo! Quando conseguimos algo bem especial ou caro – como algum eletrônico de última geração ou como roupas muito agradáveis para nós – no início ficamos animados e felizes em ter essa coisa especial, mas esse brilho incrível não tarda a passar e aí o objeto já não é mais algo tão animador na nossa visão.

Sempre uma versão mais atual ou uma nova roupa da moda aparece na vida, ou talvez o antigo não funciona mais tão bem, ou talvez ele fique manchado ou pareça desgastado. Esse é o motivo de dizermos que os prazeres mundanos são temporários. Eles não são estáveis ou seguros de se depender. Por isso, é dito que mesmo que ganhemos alguma felicidade temporária com os muitos prazeres possíveis da vida mundana, essa felicidade eventualmente se mostra como tendo uma natureza insatisfatória.

De fato, em última instância nós vivemos nesse “mundo mundano” com um senso de “agarração mental” às coisas e um senso de sede à coisas e estados impermanentes. Nossa atitude comum é esperar felicidade de coisas e estados mentais impermanentes mas é claro que essa felicidade não pode durar indefinidamente sempre do mesmo jeito, e quando ela para de durar nossas expectativas são quebradas.

Impermanência geralmente é resumida em alguns livros com a expressão “tudo que surge irá embora”. Então é importante refletir nesse aparecimento e desaparecimento das coisas. Esse tema inclusive está refletido nas palavras finais que o Buda disse: “Perecíveis, sujeitas à mudança… Assim são todas as formações que experienciamos…”.

 

As insatisfações pervasivas

Já as insatisfações pervasivas dos fenômenos compostos são um nível muito sutil de insatisfações que pervadem todos os seres do samsara. Apesar de seres ordinários serem incapazes de percebê-las, os seres nobres, chamados “Bodhisatvas”, seres que chegaram a níveis exaltados de desenvolvimento espiritual, sentem essas insatisfações pervasivas de modo bem agudo, mas nós nem mesmo as notamos.

É costumeiramente dito que, para um ser ordinário, essa insatisfação é como ter um cílio sobre a palma da mão: realmente não é nem sentido; entretanto, para um ser nobre, é como ter um cílio enfiado diretamente no olho, e é impossível de ignorar. Nós nem mesmo notamos a insatisfação pervasiva, mas os seres nobres que desenvolveram muitas realizações espirituais estão conscientes dela de modo bem agudo.

Nós temos que reconhecer nossas insatisfações antes que possamos superá-las. É como estar doente. Se estamos doentes e não percebemos isso, nós não vamos tomar os cuidados apropriados para ficar bem, nós não vamos procurar a raiz das nossas doenças e tomar o remédio correto para curá-las. Então a primeira Verdade Nobre, a verdade das insatisfações, serve para nos fazer reconhecer que nós estamos de fato tendo insatisfações. Desse modo, uma vez que reconheçamos nossas insatisfações, nós somos motivados a fazer algo para ficarmos e nos mantermos num estado melhor e mais pleno.

 

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