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Texto 2 - As Nobres Verdades, uma sequência lógica

Se tratando das Quatro Nobres Verdades, podemos dizer que “há o problema, sua causa, a solução, e o que leva à solução”.

Simplificando, o sofrimento existe; ele tem uma causa; tem um fim; e tem uma causa para provocar o seu fim. Esta noção de sofrimento não pretende transmitir uma visão negativa do mundo, mas sim uma perspectiva pragmática que lida com o mundo como ele é, como podemos ver com os nossos olhos mundanos. Os sofrimentos são examinados na tentativa de corrigi-los.

É importante lembrar que a existência do prazer não é negada, mas reconhecida como uma experiência passageira. A busca do prazer geralmente só pode dar continuidade ao que é, em última análise, uma sede de prazer. A mesma lógica desmente uma compreensão da felicidade – ela nunca é algo definitivo no nosso atual estado de existência.

Alguns sofrimentos na vida são grosseiros e doem muito; eles nos causam muita dor, seja física, mental ou ambas. Outros são mais sutis, mas mesmo assim dolorosos. Por exemplo, nós gostamos de várias coisas na vida, mas podemos ficar frustrados com elas a longo prazo se percebermos que elas não nos satisfazem plenamente. Elas não duram para sempre; elas mudam. As coisas em nossas vidas nunca são realmente estáveis; elas sobem e descem. Às vezes as coisas vão bem, às vezes não; e o que é realmente instável é como nos sentimos. Às vezes nos sentimos felizes, às vezes infelizes; às vezes parece que não sentimos nada e não temos ideia de como nos sentiremos no próximo momento.

 A Primeira Verdade identifica a presença do sofrimento. A Segunda Verdade, por outro lado, procura determinar a causa do sofrimento. No Budismo, a sede descontrolada de ter estados prazerosos e de evitar estados desagradáveis está na raiz do sofrimento, junto com as aflições internas de desejo, raiva e confusão.

 A Terceira Nobre Verdade, a verdade do fim do sofrimento, ensina que nossas aflições podem diminuir progressivamente. Por fim, a Quarta Nobre Verdade traça o método para atingir esse fim do sofrimento, que abrange os muitos métodos de praticar as virtudes, alcançar estados mentais elevados com concentração e, eventualmente, compreender profundamente as principais ideias Budistas.

 Duas das Nobres Verdades – a segunda e a quarta – descrevem causas, e as outras duas descrevem efeitos. Em outras palavras, as Quatro Nobres Verdades como um todo são baseadas na lei da causa e efeito. Falando de modo bem breve, todos os seres querem a felicidade e para chegar a essas felicidade eles precisam criar as causas para a felicidade. Desse modo, para evitar a infelicidade que eles não querem, eles precisam parar de criar as causas de suas insatisfações.

 É dito que todas as experiências do samsara (ou da existência comum, de modo geral) também são assim, aparecendo a partir de causas prévias. Adicionalmente, para o Budismo, a liberação e a iluminação são resultados que – como todos os resultados – também aparecem a partir de causas. Dizendo de outro modo: tanto as insatisfações quanto a felicidade duradoura sempre aparecem a partir de causas.

 Nesse contexto, a primeira verdade (a verdade das insatisfações) descreve um resultado, e a segunda verdade (a verdade da origem das insatisfações) descreve a origem desse resultado. Essas origens, ou, em outras palavras, essas causas das insatisfações são o que necessitamos abandonar.

 As outras duas verdades restantes (a verdade da cessação e a verdade do caminho) são verdades sobre o que nós desejamos atingir ou conseguir. O fim de nossas insatisfações, explicadas na terceira verdade (a verdade da cessação) é o resultado que podemos atingir, e a quarta verdade, a verdade do caminho, nos mostra como chegar a esse resultado de cessar nossas insatisfações.

 Esses ensinamentos são frequentemente comparados a medicamentos. Assim como um médico confirma que estamos doentes, Buda apontou a infinidade de sofrimentos que os seres em todo lugar experimentam. Um médico também procurará a causa da nossa doença, e Buda apontou a verdadeira causa como sendo a confusão sobre a forma como nós existimos. Um médico nos dirá então se podemos ser curados ou não e nos fornecerá medicamentos, se possível. Da mesma forma, nós fomos ensinados que a verdadeira cessação das insatisfações é possível e o caminho para chegar lá.

 Para encerrar esta sessão, por que esta doutrina é chamada de “Nobres Verdades”? A palavra “nobre” pode trazer à mente a aristocracia medieval, mas na verdade se refere àqueles que são altamente realizados. O resultado final é que as explicações variam. Alguns professores defendem que as Quatro Nobres Verdades são os ensinamentos que elevaram ou “enobreceram” quem realmente as ouviu e, da mesma forma, podem nos enobrecer e inspirar nossa jornada de reflexões e práticas.

 

 

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